sábado, 2 de novembro de 2013

Fernando Pessoa / Álvaro de Campos ( Tabacaria - excerto)

(...)  Janelas do meu quarto,
 Do meu quarto de um dos milhões do mundo
que ninguém sabe quem é
E se soubessem quem é, o que saberiam?
Dais para o mistério de uma rua cruzada
constantemente por gente,
para uma rua inacessível a todos pensamentos.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Clarice Lispector - Sou composta por urgências . . .




Sou composta por urgências: 
minhas alegrias são intensas; 
minhas tristezas, absolutas. 
Entupo-me de ausências,
Esvazio-me de excessos. 
Eu não caibo no estreito, 
eu só vivo nos extremos.

Pouco não me serve, 
médio não me satisfaz,
metades nunca foram meu forte! 

Todos os grandes e pequenos momentos,
feitos com amor e com carinho,
são pra mim recordações eternas.
Palavras até me conquistam temporariamente...
Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre.

Suponho que me entender 
não é uma questão de inteligência 
e sim de sentir, 
de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.

sábado, 14 de setembro de 2013

Janelas de Porto Alegre





quando entra setembro, e a primavera anda nos campos...








Mario Quintana - Ao longo das janelas mortas

Ao longo das janelas mortas
Meu passo bate as calçadas.
Que estranho bate!...Será
Que a minha perna é de pau?
Ah, que esta vida é automática!
Estou exausto da gravitação dos astros!
Vou dar um tiro neste poema horrivel!
Vou apitar chamando os guardas, os anjos, Nosso
Senhor, as prostitutas, os mortos!
Venham ver a minha degradação,
A minha sede insaciável de não sei o quê,
As minhas rugas.
Tombai, estrelas de conta,
Lua falsa de papelão,
Manto bordado do céu!
Tombai, cobri com a santa inutilidade vossa
Esta carcaça miserável de sonho...